O planeta agradece – o que importa, afinal, é ser eco friendly. Os consumidores também ficam felizes, pois querem fazer o certo, mas sem deixar de vestir tendências. O problema aparece exatamente aí: por que razão ser ecologicamente correto remete, imediatamente, a usar algodão e lona crus para o resto de nossas existências?
Talvez porque ainda haja poucas Stellas McCartneys, Anyas Hindmarchs e cia. no mundo da moda. Anya, estilista inglesa, criou a primeira eco bag fashion. A "I'm not a plastic bag" conquistou celebridades e virou item de moda. Stella McCartney, também inglesa, criou linha de cosméticos green e recusa-se a usar pele e couro – suas peças continuam lindas e desejáveis.
Mais iniciativas, lá fora, não faltam. O algodão orgânico (plantado sem uso de agrotóxicos e tratado sem poluentes até se tornar tecido) já ganhou linhas especiais de cadeias como H&M e American Apparel. Por aqui... Bem, por aqui as novidades demoram um pouco mais a chegar.
Há indícios, porém, de que há eco-moda invadindo as passarelas nacionais. O melhor exemplo é a Osklen, que lançou no ano passado sua linha de materiais orgânicos. O couro animal ainda tem espaço por ali, mas a grife de Oskar Metsavaht garante que tem o cuidado de recorrer a criações certificadas. No seu verão 09, apresentado no SPFW, lona, couro de avestruz, de jacaré e de peixe dourado são os e-fabrics (como eles chamam esses materiais) da vez.
A Uma, que também desfila na mesma semana de moda, deu um belo exemplo ao reciclar retalhos de tecido e sobras de borracha de coleções anteriores, que foram parar em peças cheias de textura e informação de moda. Será que eles foram influenciados pelo próprio SPFW? O evento de moda de Paulo Borges levanta a bandeira da sustentabilidade desde janeiro de 2006, quando pouca gente sequer sabia o que significava neutralizar carbono.
Fora das passarelas aparecem mais pistas. A New Order criou um sapato de juta biodegradável, que, uma vez dispensada, decompõe-se em dois anos. A coisa melhora: a novata Éden, funcionando há pouco mais de um mês na Vila Madalena, carrega o selo de "primeira marca de moda 100% orgânica" do país. Tudo ali é ecologicamente correto - dos cabides de bambu que seguram peças de algodão orgânico até o material de demolição usado na reforma da loja.
A marca se orgulha de ter certificações para cada um dos itens da cadeia de produção. A terra onde o algodão é plantado é tratada com adubos naturais; não se usa agrotóxico; o corante não tem química poluente; a água usada na lavanderia é reaproveitada e até os fornecedores de algodão, sempre pequenos agricultores, são escolhidos a dedo.
Essa exigência toda se reflete nas etiquetas – lá, uma simples regata custa a partir de R$ 99. Segundo a gerente da loja, o processo todo obriga o fabricante a aumentar os preços em cerca de 30%. E há outro porém: os jeans, camisetas e moletons ainda sofrem um pouco com a limitação de cores. Elas são, na maioria, lavadas, apagadas, quase pastel (ao menos fogem do cru-hippie-natureba).
Pode ir se acostumando: mais cedo ou mais tarde, a eco-moda vai invadir seu guarda-roupa. Que venham as novas, verdes e boas idéias!

Foto: Éden/Divulgação
Fonte: Eduardo Viveiros. Colaboraram Mariana Castro Cunha e Camila Leite / Chic.com

1 comentários:
Ola....Muito legal esse blog...e por falar em eco- moda porque voces não fazem umas materias sobre bio-joias...ja que a ONU informou que esse é o ano mundial das fibras///eu confecciono são lindas e bem aceitas ..ja vendi pra NY,Italia e Dubai...Esse produto tem um poblico consumidor ..muito especial e fiel...gracie..ciao
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